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Programa da Manhã
2001 por Nuno Markl

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O horizonte desfigurado de Manhattan tolhe-me as boas memórias de 2001. Só lá fui uma vez em carne e osso, mas já antes disso era a minha cidade. A cidade dos filmes de Woody Allen, a cidade onde Conan O'Brien faz um dos melhores programas de televisão do mundo e o único lugar da Terra onde se consegue sentir aconchego dentro de um espaço que é "bigger than life".

Mas até houve boas memórias. Houve o saudável reboot do Programa da Manhã, com a descoberta de uma nova voz que vai longe. É a nossa mulher do Renascimento, em vários sentidos. porque o Programa da Manhã renasceu com ela e porque a Maria de Vasconcelos é, à boa maneira dos artistas completos do século XV, um catálogo de saberes: faz televisão, faz rádio, canta, compõe, escreve, é médica, é modelo. Ainda deve ser mais qualquer coisa que agora me está a escapar. E o mais genial é que se dedica a cada uma dessas coisas como se fosse a sua única ocupação e por isso sai tudo muito bem.

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"A Maria de Vasconcelos é, ..., um catálogo de saberes"

Em 2001 mudei de casa, escrevi algum do mais arrojado humor da minha vida (mas que ninguém viu, embora eu tenha a secreta esperança que no ano 3000 arqueólogos vão descobrir as cassettes do "Programa da Manhã" e do "Paraíso Filmes" e fazer deles a coisa mais apreciável do universo), vi o meu argumento "FM", uma história sobre rádio, ser comprado pelo Paulo Branco e dar os primeiros passos para se transformar em telefilme pela mão do autor do melhor filme português que vi nos últimos anos, José Nascimento (o filme é o "Tarde Demais").

Juntei "O Fabuloso Destino de Amélie" ao meu Top 5 dos filmes da minha vida, descobri o disco dos Tenacious D (para quando editado em Portugal, Sony?), dissequei as últimas obras dos Radiohead, Eels, Pulp, Mercury REv, Gorillaz, REM; fechei uma das imperdoáveis lacunas da minha vida ao ler, finalmente, e de uma assentada os cinco volumes do hilariante e intelectualmente estimulante "Hitchhiker's Guide to the Galaxy", no ano em que o seu criador, um génio chamado Douglas Adams, passou aos 49 anos para outra dimensão onde já se deve ter encontrado com todas as suas personagens, algures num restaurante no fim do Universo.

Descobri ainda mais uma razão para amar a minha mulher, como se não chegassem todas as outras: ela faz o melhor bacalhau com broa de toda a história da humanidade.

Nuno Markl